O  QUE A VIDA ME FEZ

Por LIDICE CAMBUÍ

Sabe, a vida é mesmo uma montanha russa: em alguns momentos você está no topo, em outros momentos está  girando como em piruetas, em outros momentos está por baixo, e ainda tem aqueles momentos de calmaria, com movimentos uniformemente lineares.
Assim tem sido minha vida, sempre inconstante de tal forma que hoje sofro as conseqüências físicas e emocionais desse vai e vem.
Desculpem-me, esqueci de me apresentar. Me chamo Priscila.
Eu tive uma infância normal como qualquer outra criança, e minha vida parecia mais normal ainda.
Ao entrar na puberdade, aos 11 anos, conheci  o amor da minha vida na escola. Começamos a trocar cartinhas de amor. 
Aos 13 anos, esse garoto foi até a minha casa e me pediu em namoro a minha mãe, que respondeu sorrindo, pedindo pra ele esperar até eu completar 15 anos. Ficando combinado assim, continuamos a trocar nossas cartas de amor.
Mas nesse meio tempo surgiu um outro menino me paquerando, o Maurício.
Por incrível que pareça, os dois meninos da minha vida formaram uma banda.
Quando chegou o meu aniversário de 15 anos, o Maurício, que sabia que o outro menino gostava de mim, foi esperto e me pediu em namoro aos meus pais na frente de todo mundo em pleno microfone, aproveitando-se do fato de ele ser o vocalista da banda. Isso tudo enquanto o menino que eu gostava de verdade estava ali, tocando bateria. Por livre e espontânea pressão, acabei aceitando essa situação e deixando meu amor da minha vida de escanteio.
Mas feito montanha russa, a vida entrou em sucessivos loopings , e eu  nunca fiquei sabendo o porquê disso tudo.
O Maurício era um carinha muito popular,  me levou no papo, uma adolescente volátil. Muito super ultra possessivo, ele se achava, falava mal do meu ex primeiro amor só pra ter o prazer de me ver desgostar do ex , mas mesmo assim eu  achava tudo o máximo, estar namorando era o máximo.  Mas de repente, do topo,  a descida foi íngreme e abrupta.  
Um belo dia, estava eu na sala de aula, eis que chega o Maurício e pede ao professor para falar comigo.Insistiu até que o professor deixou. Me chamou para irmos ao refeitório, era horário do intervalo de outras turmas. O pátio tava cheio, e ele simplesmente começou a me xingar de rapariga e outros nomes bem escandalosamente na frente de todo mundo. Eu, chorando, perguntei  o motivo de tudo isso. Ele só gritava mais alto e mais alto. Deixei ele lá gritando e voltei pra minha sala chorando, transtornada. O professor, percebendo que eu não tava nada bem, chamou um carro pra me levar no hospital, onde precisei ser medicada, pois já estava fora de mim, num ataque nervoso.
Desde então, fiquei com seqüelas : gastrite, sistema nervoso e tudo o mais.
A parte boa foi que através desse incidente,eu e meu primeiro amor nos aproximamos novamente e acabamos namorando durante oito meses. De repente , do nada, eu fui perdendo o interesse, confundi o cuidado que ele tinha comigo, e achei que ele tava querendo me sufocar. Terminamos  assim sem explicação por imaturidade minha.
Mas não pense que a montanha russa parou de descer, não. Após tudo isso , descubro  que uma  “amiga “ estava namorando meu ex primeiro amor. Após algum tempo, eu encontro com ele por acaso na rua , e começamos a conversar , ele me diz :  “a Nádia falou que você estava enjoada  de mim, por isso resolvi te deixar em paz”. Aquilo foi o golpe que faltava pra terminar de atravessar meu coração. Chorei muitos dias pensando naquilo e no quanto fui imatura e fiz ele sofrer.
Daí, como se não bastasse, após um tempo,  recebo o convite para o casamento de casamento deles, mas não era um simples convite. Minha “amiga“ fez questão que eu fosse a madrinha do casamento, e eu fui obrigada a ir por educação. Foi muito difícil e torturante, mas não podia dar o braço a torcer. Então, abstraí, fingi demência,  vesti minha máscara de felizona e fui  para o tal casamento, que era pra ser o meu.
E enquanto eu estava me recuperando, conheci um rapaz muito legal, amigo e que me ouvia com toda a paciência do mundo.Em pouco tempo, eu e o Ivan nos casamos.  Um marido muito compreenssivo, cooperador , mas com tudo isso ainda não consigo esquecer essas memórias triste do passado. Ainda tenho seqüelas, ele me ouve e cuida de mim.
E como eu disse, repito:  AINDA NÃO ACABOU! Recentemente , fiquei sabendo de ex colegas de escolas que o meu possessivo ex namorado Maurício só namorou comigo por causa de uma aposta com os colegas de que conseguiria me fazer esquecer o meu primeiro amor.  
Depois disso tudo , dessa descida abrupta na montanha russa da vida, aos poucos e aos trancos, estou subindo pouco a pouco. Meu marido e eu queremos estamos planejando ter filhos para o ano, e nossa casa já está bem adiantada.
E hoje, decidi pra mim mesma  que não importa as reviravoltas da vida, o importante é nunca desistir de se manter firme, cair jamais.
Meu ex primeiro e eterno amor ainda conversa comigo pela internet, no maior respeito, ainda demonstra cuidado e  preocupação comigo, como se eu não tivesse feito nada com ele. isso me faz admirá-lo cada dia mais.
Estou contando a minha história hoje para que ninguém siga meu exemplo. Nunca desperdice um grande amor ou as conseqüências poderão ser irreverssíveis.
PS:  essa história é verídica , apenas os nomes dos personagens foram mudados.












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