A OSTRA E A PÉROLA
Por Lidice Cambuí
“A previsão do tempo dizia que ia
chover , mas nenhum dos dois se importou.
A tarde passou ,e de
repente, praticamente um novo dilúvio
começou a cair do céu.
Presos agora em casa, sorrimos um
pro outro, porque afinal de contas não era má idéia ficarmos sozinhos ali.
Filme, violão, lareira, e
principalmente muita timidez no ar.
Nossos caminhos diferentes nos
levavam ao mesmo lugar, pessoas tão diferentes que queriam exatamente a mesma
coisa.
É quando se descobre que a maior
sede do ser humano não é de água, e sim
de amor.
Pra quem sabe ler um pingo é
letra, mas pra quem não sabe, esse mesmo
pingo se torna um imenso universo a explorar.
Assim éramos nós, a ostra e a
pérola, cada um guardando os seus desejos mais secretos dentro de si, como se
fosse a sete chaves, sendo que na prática a realização estava ali diante de
nós.
Conforme as horas se passavam,
nós dois dentro daquela casa sem poder sair, a conversa ia se aprofundando, e
não havia como fugir.
Minha timidez não me deixava
fazer nada, mas as perguntas dele foram me deixando a vontade.
E pouco a pouco, foi chegando a hora de dormir. Estávamos com
sono,e quando me dei conta, já estavamos de pernas entrelaçadas. Olho no olho,
agora não tinha mais jeito, nos beijamos, e para mim foi a sensação mais
reconfortante do mundo. Ele riu quando
viu que fiquei sem jeito, e me olhou daquele jeito como quem dizia “se entrega,
não tenha vergonha de mim” . Aquecida do frio lá fora, não tinha com que me
preocupar. Tudo que me importava agora era me aconchegar em seus braços pra não
deixar aquele momento ter fim nunca mais.
Agora eu sei como se sentiu o
primeiro homem a pisar na lua.
Dizem que a memória é o escriba
da alma, e foi nela que escrevi nossos melhores momentos.
O amor nos torna assim
astronautras do outro mundo do outro, o que é calimanicamente explicável.
E assim amanheceu, abri meus
olhos que doíam com a luz do dia, sentindo o peso das suas pernas nas minhas e
dos seus braços em volta de mim. Cheirei seus cabelos lisos e agradeci a Deus,
sorrindo abobalhada com o olhar perdido de felicidade.”
NESSE MOMENTO, ACORDO SENTADA NA MINHA CAMA,
SORRINDO, AO LEMBRAR QUE MAIS UMA VEZ A SAUDADE TROUXE VOCÊ PRA MIM, PELO MENOS
NOS MEUS SONHOS.
Porque o nosso corpo é a ostra,
que guarda nossas pérolas mais secretas , nossos desejos.
Comentários
Postar um comentário