"O PRÍNCIPE ENCANTADO"
Por Lídice Cambuí
( a autora desse conto avisa: qualquer semelhança com o filme sh-rek será mera coincidência...)
Era uma vez...há muitos e muitos anos atrás...num reino tão,tão distante, uma princesinha que aos 24 anos não acreditava mais nesse tal de príncipe encantado,assim como não acreditava em outras coisas.Mas um dia ela foi ao seu compromisso religioso de costume, e lá estava ele: terno azul marinho, lindo.... Ela passou, fingiu que não viu. Depois achou que era falta de educação, e voltou para cumprimentar tanto a ele como sua família. Ela sentiu uma sensação estranha,mas ignorou, e, ao final do evento, ela foi para a porta e acompanhou a saída dele com os olhos. Prestou atenção em cada detalhe, ele abrindo a porta do carro para a mãe e a irmã, até ele entrar no carro e sumir na esquina.
Passaram-se uns meses, quando numa noite de dezembro, ela, ao chegar no baile, simplesmente viu: era ele!!!Muito atencioso, ele a cumprimentou, deixando um perfume inesquecível em suas mãos. Ela olhou, olhou, e pensou: moreno, alto, bonito e sensual,esse sorriso de derreter gelo seco, esse olhar cor de mel reluzente como o sol...é, o cabelo tá meio diferente, não sei se o encantado usa topete, mas não tenho dúvida, é ele!!!Ele não chegou num cavalo branco, e sim num outro carro meio velho, mas não tenho dúvida, é ele, sim!!!! Coitado,tão tímido pelos cantos, nem sabia que estava chamando atenção mais do que a anfitriã do baile...Ao invés de chamar a princesa pra dançar, ele foi se aproximando aos poucos e no final da noite ele já estava no maior papo com a princesa e suas amigas.Voltaram juntos para casa conversando alegremente. Que noite!!!Ao chegar em casa,, ela sentiu o perfume dele em sua roupa e só desejava dormir pra sonhar com aquele rostinho tão doce.
Mas acontece que o tal Encantado se encantou com tantas milhares de princesas ao seu redor. Ficou tão confuso sem saber a quem dar atenção que resolveu elegê-las cada qual para uma função: tinha aquela que servia pra ser paquerada, outra pra ficar escondido, outra pra agarrar ele na frente dos outros, e tinha a princesinha do baile, que, infelizmente, foi eleita pra melhor amiga. Essa se deu mal...rsrsrsrsrsrs,bom, mas enfim, o Encantado começou a ter uma vida cada vez mais agitada, com tantas ficantes, paqueras e amigas pra dar conta.
Só que o príncipe Encantado precisava explorar outros reinos, e foi estudar em outros reinos mais tão, tão distantes ainda. A princesinha do baile, numa paixão inocente, envolvida pelo amor mais puro e sincero, resolveu prestar-lhe as homenagens de despedida para tão somente desejar-lhe boa viagem. Uma dor tomava conta do coração da pobre princesa, um aperto, um nó na garanta, como se pressentisse que ele não mais voltaria, pelo menos não do mesmo jeito. E o momento THE END deles terminou sem um beijo sequer, sem direito a reprise. Foi ali que o momento passou...e a chegada daquele príncipe, mesmo rápida como nuvem passageira, deixaria sequelas eternas em seu coração.
Mensagens vão, mensagens vem, e um belo dia o príncipe resolveu aparecer, mais encantado do que nunca com as princesinhas da região. E a princesa do baile, SEMPRE como melhor amiga, sempre melhor amiga... muitos encontros e desencontros depois, o tempo passou sem que ambos percebesem que não dava mais pra voltar atrás e recuperar o beijo perdido. Apenas ficou subtendido, ficou no ar e na cabeça de vento dela, devido áquele amor verdadeiro que a princesinha guardou longos e longos anos, temendo que se o beijo não fosse com o príncipe, seu verdadeiro amor, poderia acontecer algo de errado e até recair numa maldição e virar quem sabe, uma ogra novamente...
Não acontencendo nada disso, o tempo passando e as mensagens de amizade do príncipe ficando cada vez mais raras, ela sofria pelo que fez e principalmente pelo que não fez. O príncipe decidiu então fazer parte de um outro reino bem diferente e totalmente distante do da princesa. A distância e a diferença de sentimentos entre eles poderia tornar inconciliável esse contato? De um lado ela, sabendo que o amor que sentia era infinito(enquanto durasse??), que nunca havia desejado outra pessoa pra ser seu amor, nem que fosse o amor de um minuto. De outro, ele, numa amizade casual que lhe satisfazia o ego, desejava convencê-la de que ele ainda era o mesmo amigo e que ela sobreviveria sem ele.
Ela, sem opção, fez a fila andar, e não virou ogra nem nada, por incrível que pareça. Por sinal, se saiu muito bem com outros príncipes e plebeus.
E eles não viveram felizes para sempre.
The end

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