“O ANEL DE NOIVADO ” – PARTE  II

por Lidice Cambui

Sete anos se passaram, mas para Luciana foi como se tivesse acontecido ontem.
Agora que ela estava se arrumando para o casamento da Débora, começava a passar como um filme em sua mente aquela noite em que, saindo com as amigas incluindo a Débora, conhecera o Henrique naquele barzinho. 
Foi como um sonho rápido e bom, que se repetiu algumas vezes.
Enquanto se olhava no espelho, Luciana deixou o pensamento voar para o momento do primeiro beijo. 
Como esquecer? Exatamente há sete anos atrás, lá estavam elas, as três mosqueteiras, amigas inseparáveis, a Lu, a Dê, e a Rê  curtindo o sonzinho ao vivo , uma cerveja , quando de repente eis que se dirige à mesa delas o rapaz mais bonito que Luciana já vira: cabelos extremamente lisos, lábios divinamente esculpidos (e carnudos, pra ser mais precisa). Bastou ele se apresentar que a conversa rolou solta. Conversa tragicamente interrompida pelo pai da Luciana, que veio buscá-la, pois achou que o horário já estava bem extrapolado. Assim, Luciana teve que ir pra casa.
Passaram-se uns dias, Luciana descobriu através de uma amiga em comum que o tal príncipe não era exatamente o que dizia ser. Em vez de empresário, era um simples funcionário. Talvez tivesse vergonha de se revelar.
Luciana ficou só pensando então como seria beijar uma criatura tão bonita, embora cheia de defeitos como todo ser humano. 
Mas ficar com aquele Deus Grego? Impossível, nunca na galáxia!!
Mas não é que a vida dá voltas, e um belo dia as amigas vão para outro barzinho, e lá chegando, quem elas dão de cara?  Justamente o Henrique, que já estava tomando umas, muito solto e extrovertido.
As amigas riem da situação, mas em pouco tempo, Luciana e Henrique estão em outra mesa conversando reservadamente. Depois, todos se reúnem numa única mesa, enquanto o cantor ex paquera da Luciana se acabava de cantar músicas sofridas, observando tudo que acontecia. Luciana pensou “bem que eu podia unir o útil ao agradável , ficar com ele pra ver como fulano reage”. Mas cadê a coragem de tomar atitude?
E de repente, o Henrique já muito animado pelos drinks a mais, e já estando sentado ao lado da Lu, beijou seu pescoço sem cerimônias. Luciana fica vermelha , as amigas, todas da zoeira, atiçam “beija , beija pra fotografia” 
Primeiro beijo foi rápido e sem jeito, mas o segundo foi longo e foi fotografado. O cantor olhava.
Luciana e Henrique saíram ao luar para namorar um pouco.
Luciana balançava a cabeça e repetia “não acredito! Não acredito!”
- Não acredita o que? – perguntava Henrique
- que você está aqui comigo! Como alguém tão lindo pode me querer?
- shiiiiiiiiiiiiiiit
Pronto, a conversa foi logo calada por muitos beijos.
Entre idas e vindas ao bar, a noite passou maravilhosa.
Na outra semana, convitezinho pra sair, que Luciana não pode aceitar. Imagine! Ela mal podia crer que ele ligou pra ela depois de tudo isso. Sem contar os emails trocados e os bilhetinhos.
Mas enfim, eles não se beijaram mais depois daquele segundo encontro.
Algumas vezes se viam na rua. Reencontros casuais e rápidos.
Incompatibilidades de vida afastaram os dois.
Ele chegou a se casar e se divorciar nesses sete anos. Teve um filho, um menino.
Luciana se perguntava onde ele poderia estar e como ele estaria. 
Em determinadas épocas, se falavam por telefone rapidamente, mas nada demais. E o “quero mais” ficou no ar...
Mas aquele beijo, aquele beijo...
- Lu, você está aí? Vai acabar se atrasando pra cerimônia – Renata interrompe os pensamentos de Luciana.
Ela acorda do seu devaneio:
- oi amiga! Tá , já estou indo! Cinco minutinhos e já desço
Ela se apressa, e junto com a Rê, companheira de sempre, entram no carro rumo a igreja.
E lá chegando, entram apressadamente para ocupar o lugar das madrinhas.
A noiva Débora entra gloriosa, enquanto o noivo Gabriel  lacrimeja e pega o lenço no seu bolso. Todos os olhos na estrela do acontecimento, a noiva.
O padre começa a falar, e sem querer, Luciana percorre os olhos pela igreja, uma curiosidade sem saber de quê. Minto, ela sabia sim. Queria saber se o Henrique apareceria ali de alguma forma. Pelas mensagens trocadas, ele estava na cidade, mas não deu certeza se iria ao casamento.
Enfim, ela desistiu de ficar olhando que nem  besta , toda hora olhando pra trás pra assistência.
E  de repente,  ela olha sem intenção e lá está ele no último banco da igreja.
Terminada a cerimônia e os parabéns, todos saem para se dirigir ao local da festa.
Luciana é interceptada antes de chegar no carro:
- nem fala mais comigo, né?
Era o Henrique em toda a sua lindeza, ao vivo e em cores. Coração saindo pela boca, ela responde:
- como assim?  Te mandei tanta mensagem, deixei bilhete no seu trabalho.
- ah meu celular foi roubado , fiquei sem contato. Linda como sempre né?  Vai me perder de novo? Quanto tempo faz que a gente não se vê cara a cara? – pergunta  Henrique em tom de cobrança
- sete anos, morando na mesma cidade -  responde Luciana
E os dois ficaram se olhando, parados, hipnotizados, quando mais uma vez a amiga Renata faz o favor de interromper:
- vamos gente, a festa não vai nos esperar
-até lá – Luciana se despede do Henrique
- até
E lá chegando, na modesta e bonita boda de GABRIEL E DÉBORA,  eles ficam conversando como se o tempo não tivesse passado.
Depois uns copos de cervejas a mais, ele ja está soltinho.
- cadê o meu beijo?  - pergunta ele a Luciana, apontando pra bochecha
Ela  timidamente, obedece essa quase intimação.
- oh garçom , traz mais uma ....
E  depois, dançando abraçadinhos, ela diz:
- que saudade de afagar esse cabelo!
- você sabe que eu já me casei e separei , né?
- uhum
E assim,  em um  segundo-luz ,  Luciana raciocinou tudo que os impedia de ficar juntos.
E disse, olhando bem nos olhos a criatura que ela mais queria no mundo:
“EU SEMPRE VOU TE AMAR, MAS SÓ AMOR NÃO É O SUFICIENTE. EXISTEM MUROS ENTRE NÓS. MAS JÁ QUE NUNCA CHEGAREMOS A TER UMA CERIMÔNIA COMO ESSA DO GABRIEL E DA DÉBORA, QUE SEJAMOS O ANJO UM DO OUTRO. PORQUE NESSA VIDA, TODO MUNDO TEM UM ANJO, E TODO MUNDO É O ANJO DE ALGUÉM. EU NASCI PRA SER SEU ANJO , HENRIQUE”
Ele concordou
Na vida, temos que viver as situações da melhor forma que pudermos.
Henrique e Luciana não se casaram, mas também não casaram com outras pessoas, e se protegeram, se amaram e se cuidaram durante toda a vida, até o final.
THE END
























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