UM SORRISO!
por Bruna Gonçalves

Em mais um dia cansativo nesse hospital, no qual eu já vi e ouvi de tudo, porém, nada se comparou a essa minha paciente simpática e carinhosa, que mostrou se alegre desde a sua primeira consulta
- Bao dia dotô
-Bom dia D. Socorro, como amanheceu hoje?
 -Ah dotô, num cordei bao não sabe, minha barriga dói, num consigo comer nada, o que eu tenho? Para a D. Socorro, que havia passado por vários médicos (dentre os quais muitos deles nem fizeram casos de suas dores), não desanimava em nenhum momento. Ao contrário da maioria, esse "dotô" como ela sempre diz parece saber o que faz. 
Bom a essa era a sua quarta consulta e com os resultados nas mãos (demorou 2 anos para ficar prontos) eis que frente a frete ela indaga o experiente médico:
-Bao dotô, o que eu tenho é grave?
 A fisionomia do mesmo muda e o sorriso que a recepcionou some de sua face e da lugar a uma ruga de preocupação.
-Olha D. Socorro, a notícia que tenho para a senhora não é das melhores...
 -Aí dotô, deixe de arrudeios e me diga!
 -A senhora tem câncer! Mas não se preocupe, terá toda a assistência possível. Prometo que a partir de agora estará em ótimas mãos aqui no hospital.
Então a angústia deu lugar a esperança, o receio, a insegurança, deram lugar a alegria e a vontade de continuar a lutar. O tratamento começa, é dura por dias, arrastando por semanas, a dolorosa quimioterapia. D. Socorro debilitada, aparentando estar bem mais velha, porém, sem deixar o sorriso do rosto e encarar o desafio quase que diário dessa jornada. Dia após dia, aquele "dotô" a via em seu leito naquele hospital tão conceituado quanto acolhedor. Estava preocupado, será que aquele corpo tão magro e frágil aguentaria um tratamento tão perverso como aquele que ela submetia. Até que esse dia enfim chegou, após uma bateria de exames, descobriram que ambos venceram, todos comemoraram, ela finalmente voltaria a sua casinha, seu pomar, sua vidinha e para aquele que ela mais sente falta, seu fogão de lenha, no qual, tinha orgulho e habilidade em fazer qualquer prato ou doce. Acreditem todos sentiram falta dela em sua pequenina cidade no interior de Minas. Porém, mais alguém iria sentir sua falta a partir daquele momento o querido amigo dotô que fica pra trás naquele hospital conceituado é que ajudou naquele momento tão complicado da vida dela.. Mas a sensação de dever cumprido era notória. A saudade era maior, já que aquele sorriso não percorreria mais os corredores daquele hospital alegrando sempre o seu plantão. Mas  em seu coração ficou a sensação de ter salvo, não só uma vida, mas uma alegria imensurável. Mesmo para ele que todos os dias inúmeros pacientes quando descobrem que estão doentes, culpam muitos e inclusive o ser onipresente em questão. Um sorriso largo e descompromissado não se vê todo dia.

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